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De Goiânia ao Uruguai em um Dodge Charger 1969 – Parte 3: Espírito Santo

Hora de juntar as malas e deixar Ouro Preto rumo a Vitória-ES. O Bazolli tinha me avisado que a estrada estava ruim, cheia de buracos. Vou falar para vocês: a estrada não estava muito ruim, estava essencialmente boa. Claro, tinha um buraco ou outro, mas nada que um Dodge Charger com suspensão de tanque de guerra não enfrentasse. O que mata nesse trecho é a fila de caminhões e a total falta de pontos de ultrapassagem. Some a isso um calor digno de deserto e pronto: temos a receita de uma viagem cansativa. Sério, essa estrada entre Belo Horizonte e Vitória merecia uma pista dupla há uns 20 anos.

A autonomia do Charger na estrada é pouco mais de 300 km. Isso significa que, a cada 200 km, eu paro para abastecer. O lado bom? Dá para esticar as pernas e evitar a temida pane seca, já que, no Brasil, praticamente não existe um trecho sem postos por mais de 100 km – a menos que você esteja tentando cruzar a Amazônia.

Chegamos a Vitória, e aqui encontrei um novo desafio nos hotéis do nosso caminho: estacionar. Manobrar um Charger gigante em vagas de hotel projetadas para fuscas e bicicletas é um esporte radical. Na primeira noite, o recepcionista sugeriu que eu ocupasse duas vagas, porque, se alguém parasse do meu lado, eu não teria ângulo para sair da garagem. Já o Mustang, além de grande, é baixo – tão baixo que não passava na entrada da garagem sem deixar o spoiler no asfalto. Solução? Passou a noite na rua. Vida que segue.

Logo fomos recepcionados pelo meu xará, Márcio Cabeludo. Assim como eu, ele se chama Márcio e, como esperado, não é cabeludo. Ele mora em Serra, na região metropolitana de Vitória, e apareceu com sua esposa, Lu, e o filho Bryan para nos levar a um restaurante muito legal. Esse tipo de recepção ganha fácil nossos corações – e nossos estômagos.

No dia seguinte, demos uma volta por Vitória. Fazia uns 15 anos que eu não passava por lá, e agora achei a cidade ainda mais bonita. Gosto muito da orla de Vitória. A impressão que tenho é que a cidade é apreciada pelos moradores, e não apenas por turistas. Encontramos novamente com o Márcio, que virou nosso guia turístico.

Márcio estava com seu Camaro e, no caminho para sua casa, passou em frente ao estabelecimento de um amigo. Para fazer graça, subiu o giro do Camaro. Lógico que eu não ia deixar barato e fiz o mesmo. O resultado? Minha correia pulou. Maravilha. Analisando melhor, vi que a correia estava começando a se romper – e não por desgaste natural, mas como se alguém tivesse dado um pequeno corte nela. Lembrei de uma manutenção no ar-condicionado e suspeitei que tinham feito alguma besteira. Paciência. Vida de carro antigo é assim: se não quebrar alguma coisa, tem algo errado.

Na casa do Márcio e da Lu, rolou aquele café caprichado. Também demos um banho nos carros, que estavam mais sujos que consciência de político. Aproveitei para babar nos belos Dodges dele e no Chrysler New Port – eu sou apaixonado por carros full-size. Em Serra, ainda rolou um encontro automotivo noturno, onde conheci uma galera gente fina e, claro, comi um belo churrasco. Depois de muito papo e gasolina no ar, só restava voltar para o hotel e descansar. No outro dia cedo, pegaríamos a estrada novamente.

De Vitória, rumamos para Juiz de Fora, com uma breve passagem pelo estado do Rio de Janeiro antes de retornar a Minas Gerais. No trajeto, mais uma vez sofremos com o calor, pista simples, filas de caminhões e buracos estratégicos. A situação piora um pouco no trecho entre Leopoldina e Juiz de Fora. No fim do dia, chegamos ao hotel completamente exaustos. Pelo menos nosso próximo destino não é tão longe e, quem sabe, encontramos estradas melhores. Seguimos viajando!

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