Pular para o conteúdo principal

De Goiânia ao Uruguai em um Dodge Charger 1969 – Parte 2: Minas Gerais

Com o pé na estrada, seguimos rumo a Minas Gerais, nosso primeiro estado vizinho. A primeira parada seria em Patos de Minas. O sol estava decidido a nos assar vivos, mas chegamos no final da tarde, ainda tostados, mas inteiros. Meus pais, que vinham no Mustang, saíram de Goiânia um pouco depois de nós, mas acabamos nos encontrando no hotel no final do dia – o Mustang deve ter ar-condicionado, né? Espertinhos.

Em Patos de Minas, reencontrei meus tios. Juro que foi coincidência. Rolou jantar, conversa e, claro, aquela fofoca de qualidade. No dia seguinte, saímos para explorar a cidade e atrás de uma pamonha que é tão boa quanto a feita em Goiás.

O Dodge Decide Dar Trabalho

Aqui começou a primeira treta mecânica da viagem: o motor de partida do Dodge estava com uma personalidade forte, funcionando quando bem entendia. Alguma treta elétrica entre o comutador e o motor de partida. Mas descobri que, com uma chave de fenda e um pouco de desespero, conseguia dar partida na base da gambiarra. O resultado? Um pequeno queimado no braço. Porque se não houver cicatriz, não é uma viagem raiz.

Além disso, o calor estava tão forte que o Dodge resolveu começar a jogar um pouco de água para fora quando ficava parado na lenta. Nada que umas garrafas extras de água desmineralizada no porta-malas não resolvesse. Kit de sobrevivência atualizado.

Destino: Belo Horizonte (Mas Antes, um Rango!)

De Patos de Minas, seguimos para Belo Horizonte. Mas antes, claro, teve uma parada estratégica no restaurante Barril, porque ninguém é de ferro e viagem sem boa comida é sofrimento desnecessário. Restaurante aprovado! Barriga cheia, seguimos viagem.

O Dodge Resolve Pregar Outra Peça

Chegamos em BH e, surpresa (só que não): a chave de farol do Dodge resolveu se aposentar no meio da viagem. Eu já tinha feito uma gambiarra esperta para ligar os faróis, mas agora nem os faroletes queriam trabalhar. Lá fui eu, rastejando para debaixo do painel, tentando descobrir onde estava o erro. Depois de muito futucar, a chave resolveu cooperar. Mas por quanto tempo? Mistério.

No dia seguinte visitamos a Lagoa da Pampulha e, logo depois, fomos ao Mercado Central de Belo Horizonte. Estava bem cheio. Eu gosto muito desses mercados, dá pra conhecer muito da cultura da cidade indo até eles.

Encontro com a Turma do Mopar Clube

Depois de visitar o mercado, marcamos um encontro com o Bazolli, presidente do Mopar Clube de Minas Gerais. Eu tinha mandado mensagem para ele dizendo que ia passar só para dar um oi, mas mineiro que é mineiro não perde a chance de fazer uma recepção digna de casamento. Primeiro, fomos conhecer os Dodges e as relíquias automotivas dele, incluindo antigos aparelhos de som que são verdadeiras obras de arte.

De lá, seguimos para a casa do Nilsinho. Até então, não conhecia ele direito, mas logo percebi que o cara, além de extremamente receptivo, tem um gosto automotivo de cair o queixo. Meu Charger, coitado, ficou até tímido ao lado dos brinquedos dele: dois Chargers 68, um Charger 69, um Charger 70, além dos Dodges nacionais e umas motos 750 Four. Tudo impecável. Sério, é o tipo de coleção que faz qualquer entusiasta chorar.

Para fechar o dia com chave de ouro, o Bazolli assumiu a churrasqueira, e passamos uma tarde sensacional. Ainda rolou uma chamada de vídeo para divulgar o Mopar Uai, que acontece em abril de 2025. O Nilsinho, mostrando que além de bom gosto tem um coração grande, me emprestou um motor de partida reserva, caso o meu decidisse morrer de vez. Obviamente, aceitei no clássico estilo "depois eu devolvo". O dia foi perfeito.

De BH para Ouro Preto – Sofrimento do Mustang

De Belo Horizonte, seguimos para Ouro Preto. A cidade é incrível, mas o Mustang sofreu. Com aquele perfil baixo, passou o caminho inteiro polindo os quebra-molas da cidade. Resultado: no dia seguinte, decidimos não judiar mais dos carros e pegamos as famosas jardineiras para turistar.

Os motoristas dessas jardineiras são verdadeiros ninjas do volante. Sério, o jeito que eles enfiavam aqueles ônibus gigantes em vielas minúsculas desafia qualquer lógica. Em Ouro Preto, visitamos antigas minas, igrejas e, claro, experimentamos a gastronomia local. Também aproveitamos para comemorar o aniversário da minha mãe, que teve o privilégio de passar o dia especial em uma das cidades mais bonitas do Brasil.

Ouro Preto entrou na minha lista de lugares para revisitar, mas da próxima vez, vou de caminhonete 4x4. Melhor prevenir do que virar parte da pavimentação da cidade. Bem, não é só isso. É que eu quero fazer o trajeto da Estrada Real

Hora de Seguir Viagem

Já era hora de dizer adeus a Minas Gerais e partir rumo a Vitória, no Espírito Santo. Uma coisa é certa: viajando com esses carros, sempre acabamos fazendo amigos por onde passamos. E isso, sem dúvida, é uma das melhores partes da jornada.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mopar UAI 2023

O universo Mopar é uma caixinha de surpresas, sempre trazendo algo único para os apaixonados pela marca. Nos Estados Unidos, temos o lendário Mopar Nationals , aquele evento que já está na minha lista de coisas a fazer antes de morrer. Mas, acredite ou não, o Brasil também tem suas joias Moparianas: o Mopar Nationals Brasil , em São Paulo; o Mopar Centro-Oeste , ali em Brasília, meu quintal; e, por último, o recém-chegado e já queridinho Mopar UAI . Se você não sabe, os mineiros adoram imitar os goianos. Eles já tentaram roubar o UAI , o pão de queijo e até o truco (spoiler: não conseguiram). Só de vingança, nós tomamos o título de maiores amantes de pequi deles. Porque, convenhamos, quando o assunto é pequi, todo mundo acha que Goiás é o rei. Mas, na verdade, Minas Gerais leva o troféu. Vai entender... Agora, voltando ao UAI . Essa expressão icônica, que agrada gregos mineiros e goianos, não poderia ser um nome melhor para um evento que respira Mopar. Tive o prazer de participar ...

Melhorias no Opalão

Já faz um bom tempo que estou dando aquele trato no Opalão . Ele é meu parceiro fiel há nada menos que 25 anos. O problema de ser um amante de carros (e de acumular uma pequena frota) é que todos, sem exceção, têm alguma coisinha para arrumar. É como uma creche mecânica: quando você resolve o problema de um, o outro começa a chorar. O Opala, por exemplo, estava com uns probleminhas clássicos de carro que não gosta de ficar parado: cabo do capô quebrado e um farol queimado. Felizmente, hoje esses dramas foram resolvidos. Ponto para a minha paciência (e para a loja de autopeças mais próxima). Apesar dos reparos, o Opalão ainda está em fase probatória. A ideia é ousada: uma viagem até o Nordeste com ele. Ainda não defini datas, nem roteiro, nem as cidades, nem os estados. Ou seja, a viagem é um sonho para o ano que vem, mas até lá vamos nos contentando com pequenas escapadas e muitos rolês aqui por Goiânia mesmo. E quer saber? O carro continua uma delícia de dirigir, daquele tipo q...