Uma coisa que todo mundo que curte carros faz é lavar o carro. Seja em casa, na casa de um amigo ou num lava-jato, esse é quase um ritual obrigatório. Na minha adolescência, lavar o carro era simples: uma mangueira, um detergente qualquer, um balde e um pano ou esponja. Se a pessoa fosse muito caprichosa, ainda rolava aquela cera no final, seguida de um bom e velho "pneu pretinho". Era o ápice do luxo automobilístico.
Confesso que sigo essa receita até hoje. Só que, agora que a garagem tem mais carros do que o tempo disponível para mimá-los, raramente sobra disposição para a cera ou o bendito pneu pretinho. O básico dá conta — e olhe lá!
Mas aí chegaram os novos tempos, e com eles, a gourmetização das lavagens. Máquinas de pressão, xampus com fórmulas mais complexas que cosméticos de salão, panos de microfibra, ceras líquidas, sprays que prometem devolver o brilho da alma do carro. E, claro, o tal do detalhamento. Esse termo, para mim, soa como a definição de um hobby para quem tem paciência de monge: gastar horas focando em um detalhe minúsculo do carro, como se estivesse restaurando a Capela Sistina sobre rodas.
Não me entendam mal, o resultado é incrível! Mas, sinceramente? Eu tenho preguiça. Ou talvez seja só uma questão de prioridades. Gosto de acreditar que sou apenas um "raiz" nesse mundo de "nutellas". A minha vantagem? Em 15 minutos estou de volta à estrada curtindo o asfalto, enquanto os perfeccionistas ainda estão escolhendo o ângulo da foto para postar no Instagram.
E por falar nisso, desafio você: já postou foto do seu carro sujo? Aposto que não! Limpo, brilhante, detalhado até o reflexo no retrovisor, é fácil. Quero ver ostentar aquele barro acumulado na lateral depois de um dia de aventura! Isso, sim, é uma máquina que tem história para contar.

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